domingo, 28 de dezembro de 2008
Tampa de vaso
Aprendi a fazer xixi no peniquinho. No peniquinho não tem história, é só chegar e mandar ver. Fiquei um pouco maior e fui pro vaso. Não lembro o porquê mas lá em casa não tinha a tampa, nem o assento, talvez pela eterna reforma. O caso é que eu fazia no vaso do mesmo jeito que fazia no peniquinho, chegava e chuáááá. Um pouco maior, maior não que ainda sou um baixinho, me apresentaram a tampa e o assento sanitário. Fui instruído de que eu deveria baixá-los. Depois de muita reclamação da minha mãe, ela me ensinou que eu deveria levantar o assento antes de fazer xixi, pois respingava e o assento ficava sujo para quem fosse usar. Então voltei a deixar tudo levantado. Só que quando eu chagava estava tudo abaixado. Eu levantava e deixava lá. O que eu tô querendo dizer é que primeiro me mandaram levantar as coisas. Depois mandaram eu levantar a tampa e baixar o assento, depois levantar o assento e baixar depois de usar. Pensei no porquê disso e resolvi que era para que as mulheres pudessem usar tranquilas o vaso. Ontem eu estava numa festa onde a porra do assento nai ficava em pé sozinho, tive que fazer xixi segurando!! Fiquei puto com isso e comecei a pensar nos direitos iguais. Ora, por que é que eu tenho que baixar depois de usar? Se eu levanto pra usar, por que as mulheres não podem baixar pra usar? Isso é uma injustiça! Direitos iguais na privada já!
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Eu não como bolo
Eu sou muito ruim na cozinha. Aliás sou péssimo. Uma vez fui fazer miojo, me distraí com um programa na tv e deixei o miojo queimar (dormi com fome). Sem contar as coisas mais fáceis de fazer como cozinhar ovos. Coloquei água na panela, coloquei ela no fogo, coloquei o primeiro ovo dentro da panela, coloquei o segundo, o terceiro, mas o quarto ovo chocou-se com outro e quebraram os dois. Ficou uma bagaceira dentro da panela e acabei desistindo de cozinhar ovo. A única coisa que posso afirmar que sei fazer é salada. Afinal é só cortar os legumes. Apesar de ser muito ruim na cozinha minha mãe sempre insistiu em me fazer aprender alguma coisa. Ela sempre me obrigou a ajudá-la nas tarefeas domestico-culinárias principalmente na complicada arte de fazer bolos. A única coisa que eu realmente aprendi sobre fazer bolo é que é dificil pra cacete. E nem venham me dizer que não é dificil, por quê é sim. Os ingredientes não podem ser todos misturados de uma só vez, tem de acrescentar aos poucos, misturar só para um lado, e só por uma pessoa, tem a quantidade certa de manteiga para untar a forma, o jeito certo de fazer isso ou aquilo. Fazer bolo é dificil. Para quem sabe é no mínimo trabalhoso. Mesmo com massa pronta ainda dá trabalho. Por que fazer bolo não é só ter o bolo pronto. A não ser que vc esteja no programa da Ana Maria Braga que não precisa lavar as coisas depois. E lavar essas coisas de bolo é um saco. Então fazer bolo é dificil e trabalhoso. Por isso um bolo tem uma grande chance de sair ruim e não tem coisa pior do que ser visita na casa de alguém que vc pouco conhece e ouvir a pergunta: Quer um pedacinho de bolo? DEUS!!! O que fazer? Se eu aceito, corro o risco de ser obrigado a comer uma fatia enorme de um bolo ruim, com gosto de ovo, solado e tudo o que pode acontecer de ruim com um bolo, se eu negar com certeza a anfitriã vai insistir. Pior que negar é aceitar e ter que responder a uma outra pergunta pior: Está gostoso? Minha nossa senhora!! Não me ofereçam bolo, a não ser que sua mãe seja uma confeiteira.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Imã de maluco?
Estou pensando seriamente em ir me tratar com um psicólogo. Posso não ser, mas me acho normal. A questão do "o que é normal" é uma discussão longa e chata. Então resumindo: se uma sociedade aceita/tolera certas coisas, essas coisas podem ser consideradas normais. Uma pessoa que faz coisas toleráveis é uma pessoa normal. Então, eu sendo uma pessoa normal, queria saber de uma vez por todas por quê as pessoas que falam sozinhas, que brigam com o cobrador de ônibus, que falam sobre o que passou no jornal de ontem, que têm alucinações, que possuem dificuldade de comunicação, as surdas, as mudas, as cegas, os pastores, os vendedores de jujuba, os palhaços da alegria, os cheira cola, as pessoas assaltadas, as nervosas, as calmas, as revoltadas, as especiais, as dementes e principalmente as malucas vêm conversar comigo? Estou sentado no ponto esperando o busão com meus fones de ouvido e sem escutar o que vem do mundo exterior. Várias pessoas no ponto também esperando o ônibus e um cara atravessa a rua de lá pra cá. Chapéu de feltro, camisa de botão, calça de tecido (já deu pra notar que o cara é do interior?) ele carrega uma mala de couro, daquelas de filmes dos anos 70. Passa por todo mundo no ponto, chega do meu lado e sem mais nem menos olha pra mim e fala alguma coisa.
- Falou comigo? E tiro os fones do ouvido
- Eu disse que vou embora!
Mesmo sem entender direito perguntei né! Pra onde?
- Vou voltar pra minha terra rapaz! Um diabo de mulé desse num tem quem agüente não. Onde já se viu o cidadão trabalhar dia e noite, dia e noite e no fim de semana não poder nem tomar uma cachaça! Né não?
- É - disse eu.
- Por isso eu num fico mais aqui. Que se dane tudo! Vai ficar tudinho aí.
- Tudinho quem?
- Mulé, fii, neto... Vô mimbora
- Home num vá não, como é que esse povo vai se virar?
- E eu quero lá sabê! Se dane! Se eu der uns tapa nela eu vô preso. Então é melhor dexar essa desgramada aí.
- ...
- ói o oinbu aí, vai não nesse? Bora simbora.
- Não, vou pegar outro!
O sujeito pega na minha mão, bate no meu ombro e diz:
- Até mais nunca meu garoto.
- Até.
E pega o onibus que eu ia pegar. Tomara que ele volte.
Sempre que eu saio de casa, alguma coisa desse tipo acontece. Eu queria saber se eu sou um imã de maluco.
- Falou comigo? E tiro os fones do ouvido
- Eu disse que vou embora!
Mesmo sem entender direito perguntei né! Pra onde?
- Vou voltar pra minha terra rapaz! Um diabo de mulé desse num tem quem agüente não. Onde já se viu o cidadão trabalhar dia e noite, dia e noite e no fim de semana não poder nem tomar uma cachaça! Né não?
- É - disse eu.
- Por isso eu num fico mais aqui. Que se dane tudo! Vai ficar tudinho aí.
- Tudinho quem?
- Mulé, fii, neto... Vô mimbora
- Home num vá não, como é que esse povo vai se virar?
- E eu quero lá sabê! Se dane! Se eu der uns tapa nela eu vô preso. Então é melhor dexar essa desgramada aí.
- ...
- ói o oinbu aí, vai não nesse? Bora simbora.
- Não, vou pegar outro!
O sujeito pega na minha mão, bate no meu ombro e diz:
- Até mais nunca meu garoto.
- Até.
E pega o onibus que eu ia pegar. Tomara que ele volte.
Sempre que eu saio de casa, alguma coisa desse tipo acontece. Eu queria saber se eu sou um imã de maluco.
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