sexta-feira, 26 de março de 2010

Esse negócio de saudade.

Aqui no Uruguay o povo nao sente saudades. Sente nostalgia. Mas nostalgia, pra mim, é uma palavra que remete a algo que nao volta mais, que se perdeu, como se fosse um sentimento triste. Sempre que converso com alguém e me perguntam se eu "extraño" o Brasil eu digo que nao. "Extrañar" é sentir falta. Eu sinto falta das praias, das festas, de carne de sol, macaxeira, inhame (batata nao) tapioca, camarao, sururu, cuzcuz, etc. Quando me perguntam, eu sempre digo que sinto saudades. E as pessoas me perguntam qual é a diferença. E eu sempre dou uma resposta diferente. (depende muito de como está minha paciência) Mas esse negócio de saudades, eu vou dizer viu...
Outro dia eu fui no super mercado e me dei conta de que estava tentando memorizar os preços das coisas. Comecei a rir, pois lembrei, na mesma hora, da minha tia Sônia. "Assinante" dos jornaizinhos semanais de ofertas de vários super mercados, sabe onde comprar o melhor vinho com o preço mais justo. Nesse momento senti um nó na garganta. Entre risos, lembranças e lagrimas senti uma coisinha no peito: Saudades.
Aqui no uruguay a espectativa de vida da populaçao é de mais de 70 anos. Tem muitos velhinhos nesse país. Outro dia estava parado no semáforo esperando que ficasse verde, e fui mudar a musica que eu estava escutando. O semaforo ficou verde, amarelo e outra vez vermelho. Como eu nao estava apressado continuei procurando a musica que eu queria ouvir e resolvi esperar ficar verde novamente. Quando o semáforo ficou verde na primeira vez, uma velhinha de cabelos branquinhos, toda chiquetosa, que parecia que estava indo pra um chá das cinco inglês, tentou apertar o passo. Tentou né... Estava eu de um lado e essa senhorinha do outro, esperando. Sinal verde, atravessei a rua e a senhorinha nada de se mexer. Passei por ela, olhei pra trás e vi que o sol nao deixava a pessoa ver em que cor estava o semáforo. Voltei e perguntei se ela queria ajuda pra atravessar. Ela disse: Claro, ainda mais de braços dados com um moço bonito! A animaçao, disposiçao e o humor daquela senhora me fez lembrar de outra: da José de Miranda, que entre peidos e maos abanando nariz, cai na gargalhada rindo de quem está perto. É esquisito, mas senti saudades da minha avó peidando e rindo de nós, sofrendo com o cheiro. Isso é saudades.
Fazem dois meses que estou morando num apartamento e dividindo o aluguel com um colombiano e uma uruguaya. Conviver com outras pessoas é um negocinho complicado. Principalmente quando essa gente fuma. Nao ligo pra fumaça enquanto eles estao fumando. Mas quando é no outro dia que tem um cinzeiro CHEIO de túia de cigarro e sinto aquele fedor... puta que pariu. Só existe um lugar no mundo onde o povo fuma 3 ou 4 carteiras de cigarro por noite e no outro dia vc nao sente cheiro de nada. Ô que saudades da casa da minha tia Silvia que nao importa o tamanho da festa, no outro dia tá sempre limpinho. Falando em arrumaçao, o meu quarto tá de um jeito que nao dá pra levar uma garota! Uns dias atrás acordei sentindo uma coisa grudada no peito. Olho pra baixo e vejo um abridor de latas. Nao me pergunte como, mas estava lá. Imagine dois meses acumulando, panfletos, tickets, garrafas de agua e refrigerante, dois meses sem arrumar a cama! Onde é que tá minha mae pra mandar eu forrar a cama? Pra nao ter que dormir no sofá ou jogar tudo no chao do quarto, dei uma organizada na habitaçao e enquanto estava forrando, o lençol BEM esticadinho, achava que mae ia aparecer e dizer: Faça a cama direito!
Acho que saudades é isso. Um lapso de pensamento, uma pequena memória, uma lembrança misturada com sentimentos únicos, indescritíveis e inexplicáveis. Sentimento nao se explica, se sente.
E hoje estava eu estava na feira e lembrando de todas as vezes que eu já fui (ou fui levado) a feira. E me vejo comprando as mesmas quantias de frutas, verduras e legumes que meu pai compra. Sempre me perguntava como ele sabia a quantia certa de frutas e verduras comprar. Passei toda a feira fazendo os mesmos passos que meu pai e só me dei conta disso justo quando fui comprar limao e o dinheiro acabou. E foi nesse gesto, com essa pequena açao de gastar até o ultimo centavo na feira, foi que me fez lembrar dele.
Feliz aniversário pai! Tô morrendo de saudades.

sábado, 16 de janeiro de 2010

O Código dos Cafajestes

Título I - Dos Princípios Fundamentais

Art.1. Não ter nenhum princípio.
Art.2. Homem não trai, distrai-se.
Art.3. Nunca se deve bater em uma mulher - ela pode se apaixonar.
Art.4. O que é bom a gente "cata" e mostra; o que é ruim a gente só não mostra.
Art.5. Usar sempre as velhas desculpas:
a) Mas eu te Amo;
b) Não vai doer nada;
c) Nunca vou te deixar;
d) Eu estava bêbado;
e) Eu posso explicar...
f) Vou comprar cigarro e já volto;
g) Você é a única na minha vida;
h) Você vai acreditar na sua amiga ou em mim?
Art.6. Cafajeste não mente, omite.
Art.7. Cafajeste não se arrepende, se diverte com o fatídico.
Art.8. Nunca deixar os amigos porque sua namorada está chamando.
Art.9. Mesmo se for pego em flagrante, negue tudo até ela acreditar.
Art.10. Em casos de "extrema necessidade", prometa tudo a uma mulher - elas acabam cedendo.
Art.11. Seja prevenido, leve camisinha até para velórios, mulheres são geralmente frágeis e sentimentais.
Art.12. Não perdoe, vingue-se.

Título II - Das Considerações e Desconsiderações

Art.13. Homem não tem amigas, apenas as "considera" um pouquinho mais.
Parágrafo único - A alegação de afinidades entre os dois poderá ser usada como método de convencimento para possível relacionamento sexual.
Art.14. Considera-se incluída na contagem geral a mesma mulher que, porventura, o cafajeste tenha ficado numa única noite.
Art.15. Para o disposto nesta Lei, não se considera como mulher para você:
a) Sua mãe;
b) Mãe de seus amigos - salvo se for do tipo "coroa enxuta"
c) Sua irmã;
Parágrafo único: Prima não é parente!!!!!

Título III - Das Classes e Classificações

Art.17. Os cafajestes só saem com 3 (três) tipos de mulher:
a) As nacionais;
b) As estrangeiras;
c) As extraterrestres.

Título IV - Das Cachaças e das Biritas

Art.18. Cafajeste não toma 1, quem toma uma é BICHA.
Art.19. É vedada toda e qualquer recriminação à barriga de cerveja do cafajeste.
Art.20. Tudo é licito quando se está embriagado.
Art.21. Nunca deixe de beber com os outros cafajestes por causa de mulher. (Vide Art.8.)

Título V - Das Bozengas e Mocréias

Art.22. Causas excludentes de anti-juridicidade.
a) Elevado grau alcoólico;
b) Ambiente favorável;
c) Bestialidade absoluta do ser;
Art.23. Considera-se induzimento a erro essencial, aquele que, para satisfazer interesses escusos, induzir amigo a agarrar alguma dessas criaturas (bozengas ou mocréias).
Parágrafo único - O agente passivo está isento de culpa ou dolo.

Disposições finais

Art.24. Vetado (Você achou que existiria um Art.24.?)


Fonte: Wikipiada

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Alplermagrone

Bem infelizmente estou viajando de mochileiro pelo uruguay e neste momentos estou em Rocha, La paloma e pagando caro numa lan house, entao nao tenho muito tempo de postar algums dos pensamentos que tive durante  a viagem. Conheci um suíço que viajou a Asia toda de mochila e agora está viajando pela america latina. Essa viajem está MUITO interessante entao penso em contar com mais detalhes em outra oportunidade. Porém pra o blog nao ficar abandonado vou postar um pequeno diário de ontem.

Querido diário, hoje acordei todo quebrado. Pra falar a verdade eu quase nao dormi. Na minha barraca tem um furo que deixa entrar todo o vento ártico que chega no uruguay (frio da pext). Sem contar que tinha umas ondulaçoes debaixo da barraca que lascou com minhas costelas. (dormir em saco de dormir é foda!)
Acordamos Levantamos e fomos pra praia. (quando eu digo levantamos falo do meu companheiro de viajem, um suíço louco que está mochilando pela america latina)

A praia de La Paloma é igual a qualquer outra praia do mundo. Areia, sol e agua. Mas uma agua mais gelada que o quinto dos infernos. (Já falei que eu acho que o inferno é frio?) Nao dá tempo de ficar dentro do mar nem pra terminar a mijada. Depois de umas duas horas sem nada interessante acontecer. Ops aconteceu algo interessante:
Duas argentinas lindas e gostosas sentaram a uns 5 metros do nosso lado direito. Arrumaram as toalhinhas e colocaram um guarda sol rosa na areia que nao durou 2 minutos. Saiu voando em nossa direçao. Ôpa! oportunidade perfeita para se chegar.
Escondi meu espanhol e falei em Brasileiro mesmo (nao se enganem o nosso idioma é brasileiro, portugês é lá em portugal)
Arg: Ai ¿sos brasileño? Así que entiende de estas cosas!?
Br: Claro, disso e muito mais.
(Tipo galàn de novela mexicana sabe?)
Bom, guarda sol bem enfiado (já dando uma indireta pra ela saber como nós brasileiros entendemos da coisa) conversa pra lá, conversa pra cá, aceita uma cerveja?
Ay no gracias, estamos esperando nuestros novios!   ¬¬

Decidimos mudar de praia. Fomos láááááá pro outro lado. O Suíço disse: vamos sentar perto de um grupo, assim temos mais chances. ( na minha experiência de praia em Maceió, é melhor se chegar em duplas ou trios de mulheres) nos sentamos perto de 9 garotas tomando banho de sol.
30 minutos e 3 cervejas depois, me cansei de esperar o suíço "agir" (digo se aproximar das minas) e decidi fazer algum movimento. Quando elas tiraram a maquina fotografica pra fora, perguntei se elas queriam que eu tirasse a foto, assim todas apareceriam nela. Converssa vai, conversa vem, descobrimos que elas tinham alugado uma casa. (a casa das 9 mulheres o.O) Como estavamos viajando há 4 dias e só comendo porcaria na rua (sanduíche, biscoito, pastel) pensei em como usar a cozinha delas pra cozinhar e comer comida de verdade. Soltei que estava a fim de comer ChopSuey para o suíço. Uma delas escutou e disse: Ay o que vamos comer hoje a noite? Começou uma disussao sobre comida que nao terminava nunca e perguntei pro mochileiro se ele sabia alguma comida tipica da suíça. E gritei: Chicas ja comeram Alplermagrone? rsrsrs Resumindo: terminamos a noite comendo muito bem obrigado. Depois dessa receita de como comer na casa alheia (e as alheias) deixo aqui a receita da comida suíça:

A quantidade de cada ingrediente depende de quantas pessoas vao comer.
Nao vou colocar aqui por que compramos comida pra 11 pessoas (9 argentinas, 1 suíço e 1 Brasileiro)
Ingredientes:

Batata
Queijo Mussarela (compre um pedaço grandao pra cortar em cubos depois)
Presunto (compre um pedaço grandao pra cortar em cubos depois)
Macarrao
Creme de leite
Sal
Oregano
Um ingrediente que ninguem sabia a traduçao e que foi trocado por Albahaca (é o nosso tempero com algumas outras ervas)
Queijo Parmesano (Aquele pedaço grandao que vc mesmo rala)

Modo de preparo:
Panela, agua fervendo, joga as batatas cortadas dentro. (Corta a batata no meio duas vezes e depois faz cubinhos)
Outra panela, agua fervendo, sal, um pouco de óleo e joga o macarrao dentro.
Enquanto a batata e o macarrao estao cozinhando corte o Presunto e o Queijo Mussarela em cubos.
Depois pegue o creme de leite coloque numa coisinha pra misturar com sal, oregano e o tempero com pimenta e outras ervas que eu nao sei quais sao.
Quando o macarrao estiver pronto coloque numa assadeira melada de margarina por baixo no fundo (acho que a palavra pra isso é juntada), coloque tudo numa assadeira juntada com margarina, depois coloque as batatas por cima, depois o queijo mussarela, depois o presunto, depois o molho de creme de leite, depois o queijo parmesao ralado e depois mais molho.
Coloque no forno e espere até sentir um cheirinho bom. Nao lembro quanto tempo foi, acho que 15 ou 20 minutos. Se nao tiver argentina pra se agarrar vai tomar uma taça de vinho. (tinto) (cabernnet)

Nunca imaginei que iria postar uma receita. Sou muito ruim péssimo na cozinha. Mas essa comida ficou gostosa e encheu a barriga de todo mundo. E graças a invençao da camisinha, nenhuma argentina vai ficar com barrigao.