Estou pensando seriamente em ir me tratar com um psicólogo. Posso não ser, mas me acho normal. A questão do "o que é normal" é uma discussão longa e chata. Então resumindo: se uma sociedade aceita/tolera certas coisas, essas coisas podem ser consideradas normais. Uma pessoa que faz coisas toleráveis é uma pessoa normal. Então, eu sendo uma pessoa normal, queria saber de uma vez por todas por quê as pessoas que falam sozinhas, que brigam com o cobrador de ônibus, que falam sobre o que passou no jornal de ontem, que têm alucinações, que possuem dificuldade de comunicação, as surdas, as mudas, as cegas, os pastores, os vendedores de jujuba, os palhaços da alegria, os cheira cola, as pessoas assaltadas, as nervosas, as calmas, as revoltadas, as especiais, as dementes e principalmente as malucas vêm conversar comigo? Estou sentado no ponto esperando o busão com meus fones de ouvido e sem escutar o que vem do mundo exterior. Várias pessoas no ponto também esperando o ônibus e um cara atravessa a rua de lá pra cá. Chapéu de feltro, camisa de botão, calça de tecido (já deu pra notar que o cara é do interior?) ele carrega uma mala de couro, daquelas de filmes dos anos 70. Passa por todo mundo no ponto, chega do meu lado e sem mais nem menos olha pra mim e fala alguma coisa.
- Falou comigo? E tiro os fones do ouvido
- Eu disse que vou embora!
Mesmo sem entender direito perguntei né! Pra onde?
- Vou voltar pra minha terra rapaz! Um diabo de mulé desse num tem quem agüente não. Onde já se viu o cidadão trabalhar dia e noite, dia e noite e no fim de semana não poder nem tomar uma cachaça! Né não?
- É - disse eu.
- Por isso eu num fico mais aqui. Que se dane tudo! Vai ficar tudinho aí.
- Tudinho quem?
- Mulé, fii, neto... Vô mimbora
- Home num vá não, como é que esse povo vai se virar?
- E eu quero lá sabê! Se dane! Se eu der uns tapa nela eu vô preso. Então é melhor dexar essa desgramada aí.
- ...
- ói o oinbu aí, vai não nesse? Bora simbora.
- Não, vou pegar outro!
O sujeito pega na minha mão, bate no meu ombro e diz:
- Até mais nunca meu garoto.
- Até.
E pega o onibus que eu ia pegar. Tomara que ele volte.
Sempre que eu saio de casa, alguma coisa desse tipo acontece. Eu queria saber se eu sou um imã de maluco.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Não era pra ser hoje
Tentei escrever alguma coisa neste blog. Escrevi e apaguei dois textos. Não era pra ser hoje.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Vamos brincar de fingir
Vamos fingir que eu não passei tanto tempo pra escrever neste singelo blog, onde eu coloco alguns pensamentos meus e às vezes raciocínios que deve ser geral, tipo: "Será que eu devo ligar? Se eu ligar vai parecer que eu estou desesperado, ou que sou grudento, pegajoso. Mas se eu não ligar vai parecer que não estou interessado..." Esse e outros tipos de coisas que se pensa durante uma sessão de descarrego. Vamos fingir também que as pessoas lêem esses textos e pedir desculpas a elas pelo afastamento. Não vou fingir que foi por falta de tempo, pq eu num tava fazendo porra nenhuma. Tudo bem que passei uma semana sem internet (falta de pagamento). Mas o que não dá pra fingir é que eu não sabia o quê escrever, nem tava com vontade, nem queria. Afinal a gente não pode se OBRIGAR a escrever num blog. Fica chato. Mas quero escrever, quero dividir, quero compartilhar. E é justamente sobre isso que quero falar.
De onde vem esse sentimento de posse de outra pessoa? Por que é que a gente sente ciúmes?
Principalmente vocês mulheres! Por quê vocês são assim? Vamos ser feliz e curitr. Curtir o outro deixando o outro curtir outras(os). Se vc acha uma pessoa interessante pq não compartilhar ela com outras pessoas? Fico imaginando como as pessoas demoram pra largar esses conceitos antigos. No inicio o homem pedia a mão da mulher ao pai, antes de experimentar e eles viviam infelizes para sempre. Depois inventaram o namoro, pra testar o "produto" antes de levar pra casa(r), e ainda tinha o lance de noivado que era o test drive final. Quantos noivados acabaram depois de algum tempo de convivência... Aí o negócio foi ficando cada vez mais livre, mais solto, mais leve. Era só namorar e quando não dava mais acabava antes de noivar! Inventamos (isso mesmo, nossa geração anos 80, quem tem entre 20 e 28 anos inventou o "ficar") inventamos o ficar, que minha mãe diz que é uma palhaçada namorar por uma noite, ou alguns dias, ou namorar sem ter compromisso, com tanto que não dure nem um mês, isso é ficar, ou ter um rolo (giria antiga da pext) ou como estão chamando hoje: Sair. Ah, né minha namorada não, a gente tá saindo junto... Continuando, quando Ficam, Saem juntos, Namoram, Noivam, Casam e ainda assim não dão certo... Separam! Simples assim. ;) Mas o que atrapalha em todos os casos é a vontade de exclusividade. Que mania! Que demora pra aceitar isso meu Deus!! Ninguém é de ninguém ora bolas. O próximo passo da evolução do relacionamento Homem-Mulher é o RELACIONAMENTO ABERTO. Enquanto esse conceito não é aceito, vamos brincar de fingir que não existe ciúmes.
De onde vem esse sentimento de posse de outra pessoa? Por que é que a gente sente ciúmes?
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