segunda-feira, 21 de março de 2011

A gente cresce mas as coisas nao mudam

Nesse último fim de semana eu estava na casa de uma amiga para assistir uma série de filmes Peruanos e  Bolivianos. De repente ela lembrou que havia uma festinha de aniversário que ela TINHA que ir. Era aniversário de uma amiga da faculdade, e era uma festinha dessas que você tem praticamente a obrigaçao social de ir. Ela disse: "Ai Max, me desculpa, esqueci completamente dessa festa, você tem de vir comigo".  Eu estava com minha velha guerreira sandálias Havaianas, cabelos assanhados e barba por fazer.  Mas e daí? Vamo nessa! Ir para festas onde nao conheço ninguém nunca foi problema pra mim. Se houver cerveja e amendoim estarei contente. (Ou só cerveja)
Como eu havia previsto, nao conhecia ninguém. Prontamente me coloquei como um observador e detectei outras duas pessoas que estavam alí, mas também nao conheciam ninguém. Um cara que rapidamente socializou com os namorados das amigas da aniversariante. (As namoradas de um lado e os namorados do outro) e uma mulher (uma coroa) que parecia ser a chefe da aniversariante. A "festa" na verdade era uma reuniao de pessoas em volta de uma mesa, conversando sobre qualquer coisa, comendo e bebendo.
Eu estava ao lado de minha amiga que conversava sobre assuntos da faculdade e do curso de biologia, com outra colega e  contavam histórias passadas. Como eu nao estava prestando atençao, eu ria quando todo mundo ria. Se alguém olhasse diria que eu estava interagindo com esse pequeno grupo. Porém a pobre senhora, digo a coroa que estava sentada sozinha num canto, olhava para as pessoas com um sorriso sem graça, como si estivesse com um letreiro bem grande escrito na testa: Oi. Fala comigo por favor. Pensei várias vezes em ir conversar com ela, mas estava tao interessante vê-la suplicando um pouco de atençao que terminei nao indo. A final ela teve que apelar e interagir com o cachorro e com a criança insuportável de 5 anos que queria chamar mais atençao que tudo na vida. Depois de muito tempo a pobre e solitária mulher percebeu que um casal precisava ir embora por algum motivo qualquer. Ela aproveitou a saída do casal e também foi embora.
Depois disso passei a prestar atençao na conversa das garotas. Cinco minutos depois estava na roda dos caras com conversas muito mais interessantes.
Impressionante como as coisas nao mudam...

domingo, 13 de março de 2011

Nao, é NAO!

Quem é que nunca esteve com uma uma mulher que disse: "nao, tira a mao daí"?  Entao você liga o beijo no modo turbo, vira um polvo de oito braços, passa a mao por tudo quanto é parte de seu corpo, deixa ela mais excitada e a leva pro quarto. Ela vai dizendo, "nao, nao podemos fazer isso", e você finge que nao escuta, continua beijando e conduzindo-a para o quarto, depois de vários "naos" ignorados, você tem ela só de calcinha deitada na sua cama. Estratégicamente você realiza uma preliminar manual com o objetivo de transformar os "naos" dela em vários "ohyes!" Antes que ela deixe de respirar ofegantemente você acha que já está na hora de remover a última peça de roupa e na tentativa ouve mais um nao. Mas esse tem outra entonaçao. É um nao mais forte, desses que realmente querem dizer Nao!
Vou ser sincero com vocês... ISSO É UM SACO!!!
Existe uma quantidade limite de naos. Esse episodio já aconteceu comigo algumas vezes. Uma vez por que os pais da gorota estava por chegar, algumas vezes por que nao tinhamos camisinha para continuar, varias vezes por que a garota estava menstruada e nao gostava da sensaçao, e uma vez por que a garota era virgem e ainda nao estava preparada psicologicamente (ela achava que nao, mas depois de uma boa conversa...)
Mas semana passada essa cena aconteceu comigo e nao havia motivo nenhum para tantos naos. Acontece que quando ela disse o último nao, eu já estava de saco cheio dessa brincadeirinha. Ela nao estava menstruada, já nao era virgem, morava sozinha e nao tinha motivos para tantos naos...
Quando ela disse nao, eu parei, olhei nos olhos dela e disse: Tá bom. Levantei e fui embora.
Porra!! O momento de fazer c* doce já passou faz 1 hora. Tá de sacanagem? Entao tá, termina essa porra sozinha agora. *SFD*

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Beber, Comer, Cagar.



Estou em La Paz. Nao em la paz de jah, em La Paz de Bolivia. Nao, La Paz nao é a capital de Bolivia como todo mundo pensa (eu tb pensava), La Paz é só onde está o governo. Nessa minha viagem sem planejamento prévio, de repente me vi sem dinheiro. O Chile é caro pra cacete e passar uns dias no deserto é mais ainda. Entao corri para um dos paises mais baratos da america latina pra tentar prolongar a vida dos meus ultimos centavos. O pais mais barato da america latina só é o mais barato por que também é o mais pobre. Nos primeiros dias eu me senti muito triste por conhecer um país onde milhares de crianças trabalham nas ruas e me senti um pouco deprimido. Mas fui conhecendo mais o sistema economico de Bolivia e nao adiantou de nada. Continuei triste. Entao como sempre faço (e acho que todo mundo faz igual) resolvi ver o lado bom do país. Comecei a ver a cultura e a maneira de ser das pessoas daqui. A principio vejo como um povo muito timido, muito calado, mas depois que se tornam amigos sao verdadeiros bons amigos. Passeando pelas ruas observo a maneira de vestir das mulheres. As roupas coloridas, o chapeuzinho na cabeça e a sempre presente manta que serve tanto para levar compras ou meradorias como um bebê ou uma criança. Comprei uma dessas mantas pra minha nova prima, tenho que mandar por correio o mais rápido possível. Observando os grupos folclóricos de La Paz comecei a lembrar dos grupos folclóricos de Alagoas. Dessa vez a saudade bateu forte. Um aperto forte no peito, um nó na garganta e uma lágrima na bochecha. Sinto falta da cultura nordestina. As cores, as musicas as comidas...
Falando em comida, esse texto é fruto de várias idas ao banheiro.
A comida de Bolivia me faz ir pelo menos 3 vezes ao dia. Nao consigo saber o que é que tem essa comida que me leva tanto ao banheiro.
Uma semana em La Paz e consegui um trampo no Bar do hostel. Assim nao preciso pagar pelo alojamento nem pelas cervejas que tomo. Isso é tudo o que eu tenho feito em La Paz, beber, comer e cagar.
Sim tô fazendo uma referência ao livro mais de mulherzinha que eu já lí (ainda estou lendo) Comer, Rezar, Amar. Como estou indo muito ao banheiro eu só leio o livro lá. É meu livro de bosta, já que eu nao tenho cabeceira. A mulher nao faz nada além de contar com excesso de palavras o que aconteceu com ela. Assim é fácil escrever um livro. O que ela faz é mais ou menos isso:

Para chegar ao Caminho da Morte Subimos uma montanha de 4.700m entao lá em cima sentamos a bunda numa bicicleta e vamos descendo. No principio estava tudo beleza, pois estavamos no asfalto. Descidas e curvas em alta velocidade e pura adrenalina. Confesso que me caguei de medo em algumas curvas mais fechadas e quando vinham caminhoes em direçao contraria. Depois de uns 20 Km de asfalto chegamos finalmente na antiga rota de viajem que era feita por caminhoes e onibus. É uma pequena estrada de areia e pedras que gira entorno de uma montanha. Do lado direito está a montanha, uma parede de pedra interminável, daí vem a "pista" que tem mais ou menos uns 5 ou 6 metros de largura e do lado esquerdo um precipicio mortal. A rota deixou de ser utilizada pelo varios onibus e caminhoes que caiam lá em baixo e passou a ser usada como uma rota de bike riders radicais e depois virou uma rota de turismo radical. 33 pessoas morreram descendo o caminho da morte. Enfim, começamos a descida acompanhando o guia mas as curvas suntuosas e estreitas fazem vc ir mais devagar que o guia. A ladeira é gigante e
as curvas muito fechadas, se vc fizer muito perto da parede vc corre o risco de meter a cabeça na rocha, se fizer muito do outro lado, corre o risco de passar direto pra uma caida divertida e mortal. Acontece que vc vai perdendo o medo e querendo acompanhar o grupo, entao sua descida vai ficando cada vez mais rapida e mais perigosa até que vc se depara com uma curva que vc sabe que nao vai conseguir fazer e se joga da bicicleta se ralando todo, mas salvando a vida.
O mais impressionante de tudo é a vista, o problema é que a velocidade é tanta que vc nao pode virar a cabeça pra apreciar, precisa se concentrar no caminho ou dá de cara na rocha, ou aprende a voar...
Felizmente consegui fazer todo o caminho da morte acompanhando o guia e outro maluco que ia bem pertinho do guia, eu ia um pouco mais atras e outro cara um pouco mais atras de mim. Quando eu caí ele me ajudou a levantar e tal. Quando o maluco que acompanhava o guia caiu (e caiu feio, ferrou o ombro e ralou um pouco as costas) nós que estavamos atras ajudamos ele. No final tomamos umas brejas e voltamos felizes e cansados de tanta tensao. Foi muito legal.